Só o mi: Conheça a trajetória da banda Fulô de Mandacaru
Destaque

Só o mi: Conheça a trajetória da banda Fulô de Mandacaru

Gabriel Carvalho, de Recife

A expressão usada em todo o Nordeste para dizer que uma coisa é perfeita não passou despercebida pelo trio que comanda a banda pernambucana Fulô de Mandacaru. Ela dá nome ao principal sucesso da banda que foi fundada em 2001 e que em 2016 alcançou um dos seus principais feitos ao conquistar a primeira colocação no programa Superstar, da TV Globo.

Mas nem tudo foi “só o mi” para Armandinho, Tiago e Pingo. Antes de gravar um DVD acústico neste final de semana, no Teatro Boa Vista, em Recife, e de conquistar o País, vencendo a disputa na Globo com uma votação popular, os meninos de Caruaru enfrentaram alguns perrengues.

Durante a apresentação, que contou com as participações de Elba Ramalho, Dorgival Dantas, Padre Antônio Maria e o maestro Mozart, Armandinho fez um breve relato da história da banda que tem nome de uma flor que brota de uma planta que resiste às piores estiagens do Sertão Nordestino. “Lembro que meu pai, que sempre foi compositor e cantava lá em Caruaru, resolveu apostar na gente. Foi aí que viemos para Recife e enfrentamos imensas dificuldades”, contou o artista, lembrando que já foi cobrador de lotação numa Kombi velha.

Após as tentativas na capital pernambucana, eles se mudaram para o Vale do São Francisco. Em Petrolina, o trabalho era tão árduo quanto em Recife. “Carregávamos caixas de frutas na cabeça para vender”, resumiu.

O tempo passou e eles, antes de se reencontrarem com a música, foram viver o universo acadêmico, mesmo estudando a vida inteira em escolas públicas. “Vou concluir meu doutorado na Universidade Federal da Paraíba daqui a dois anos, meu irmão (Pingo) parou a faculdade de Direito e Tiago abandonou o seminário”, completa Armandinho.

Filhos do cantor e compositor, Armando Barros, Armandinho e Pingo viram a vida mudar quando o pai vendeu um automóvel para comprar um teclado. Anos depois, estavam em Paris para uma temporada de 30 dias divulgando o forró.

Tiago, por sua vez, abandonou o sonho de ser padre e se uniu aos dois irmãos para seguir com a música.

                     

Luiz Gonzaga– No palco, os garotos de Caruaru se transformam. Com muita irreverência, eles fazem releituras de clássicos do Rei do Baião, que consideram a sua principal referência, juntamente com Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Elba Ramalho, Alceu Valença e Anastácia. “A gente faz questão de se vestir como verdadeiros nordestinos, pois temos um compromisso enorme com a cultura da nossa região”, ressalta Pingo.

Além dos artistas consagrados, eles também prestigiam artistas locais como João do Pífano, Didi Caruaru, dentre outros que foram à gravação do DVD acústico, que também será o especial de Natal da Globo Nordeste, com exibição prevista para dia 23 de dezembro. Canções deles próprios e do pai Armando também fazem parte do repertório.

A performance de palco dos Meninos de Caruaru é um show à parte. Enquanto pingo rodopia com a zabumba pendurada no pescoço, Armandinho retira acordes diferenciados da sanfona e Tiago apresenta uma maneira peculiar de extrair som do triângulo.

Bahia – Sucesso em todo o Nordeste e em estados como Rio de Janeiro e São Paulo , com um público diversificado – no Teatro Boa Vista tinha crianças de oito anos e velhos de 80 – eles agora querem se tornar referência na terra de todos-os-santos. Segundo Armandinho, o próximo DVD deve ser gravado em solo baiano. O repórter sugeriu que fosse durante o São João e ele respondeu: Excelente ideia.

Na agenda, os baianos já podem se preparar para assisti-los em Senhor do Bonfim e Irecê, onde tocarão pelo segundo ano seguido, além de Amargosa, onde farão sua estreia. São Sebastião do Passé e Salvador estão no radar.

Aliás, a capital baiana pode ser um destino deles no carnaval, onde eles poderão apresentar o Mandacaru Elétrico, projeto em que colocam o forró numa velocidade ainda mais rápida que a habitual.