Trio de DJs remixa canções famosas e leva ritmo para novos públicos
O forró sempre se reinventou e as mais recentes reinvenções desse ritmo não são nada silenciosas. Além dos subgêneros que andam dominando as playlists nacionais, um novo universo vem se abrindo: o set dos DJs. Pesquisadora de forró há 12 anos, DJ Preta iniciou o projeto ForróSound, que se transformou num grupo baiano que mescla a tradição com a discotecagem.
Ao lado de DJ Negrão e DJ Terranova, ela produz um som que incorpora canções famosas do forró com batidas eletrônicas, um movimento que ajuda a levar o ritmo declarado como Patrimônio Imaterial Brasileiro para novos públicos. A equipe do portal São João na Bahia conversou com os artistas para entender melhor esse movimento e como ele vem ganhando espaço na cena cultural baiana.
SJBA – Como se deu a trajetória de vocês na música e quando o forró entrou na história?
ForróSound – Eu, DJ Preta, sou da música desde que nasci, trabalho com música há quase 20 anos, mas só comecei a discotecar há seis anos. O DJ Terranova é baixista e guitarrista e também estuda produção musical. Ele discoteca há mais ou menos 5 anos e o DJ Negrão toca violão, pesquisa forró e discoteca há 3 anos. Nós três começamos a carreira de DJs pelo forró.
Qual a origem do projeto ForróSound, suas principais atuações e objetivos?
O ForróSound surgiu ocupando espaços públicos com forró, uma atitude que vem da cultura soundsystem, de trazer a música popular para as ruas. A partir disso, no início chamávamos DJ’s convidados, até que um dia DJ Preta começou a discotecar nas próprias ocupações ao ar livre. Isso foi entre 2015 e 2016. De lá pra cá, o projeto cresceu, ganhou mais dois DJ’s, tem agenda fixa o ano todo. Nosso objetivo é aumentar a atuação da discotecagem profissional de forró por toda a Bahia.
Para qual público geralmente vocês tocam? A recepção do forró tem sido boa nesses anos de atuação?
Normalmente tocamos para o público de Salvador que consome forró o ano todo e este é um público bem fiel, que frequenta aulas de dança e vão aos nossos bailes para praticar. Fora desse circuito de forró, o público do São João nos recebe bem.
Hoje temos uma agenda quinzenal fixa, às sextas-feiras na Komidaria, em Pituaçu, e temos participação em grandes eventos e festivais, como por exemplo o Festival de Mucugê 2019, a Bienal da UNE em 2019, e agora o São João do Pelourinho em 2022.
Em relação às mixagens com o forró, como elas são feitas?
Nós três usamos a mesma base para as mixagens, que é o ritmo. Separamos xotes, baião, forró, xaxado e outros ritmos e mixamos entre eles. Tem outras técnicas envolvidas também, mas a priori a primeira divisão é pelos ritmos. Como nós três temos conhecimento musical mais técnico, isso fica mais fácil, mais automático. Além disso, temos uma preocupação especial com a qualidade do som, e por isso DJ Preta estudou técnica de som, e DJ Terranova estuda produção musical, para trazer um nível profissional para as apresentações.
Como foi a agenda de vocês e quais suas expectativas para esse São João?
Junho foi de agenda cheia. Conseguimos fechar todos os finais de semana com boa antecedência. Estamos muito felizes com esse resultado e a nossa apresentação no São João do Pelourinho pela Bahiatursa vem pra coroar esse excelente momento de crescimento do ForróSound.
Para vocês qual a importância de incorporar o forró nesse universo da discotecagem?
Acessibilidade. Tornar acessível que pessoas fora do cenário de forró possam ter contato com essa cultura tão rica e tão nossa. Nós pretendemos sempre reforçar essa raiz nordestina, baiana, cheia de dendê e que influencia toda a música brasileira.
O Baião é a origem de muita coisa da música que veio depois. Jackson do Pandeiro, o Rei do Ritmo, era um exímio forrozeiro, filho de uma coquista. Bezerra da Silva também. Aqui na Bahia temos Trio Nordestino, temos Adelmário, Quininho de Valente, Del Feliz, tanta gente boa que ainda produz, que faz trabalhos autorais lindíssimos e essa música precisa chegar na população.
É uma tradição musical familiar que conta muitas histórias de onde a gente veio. Tornar essas letras, essas melodias acessíveis para a população é uma das nossas missões, e a discotecagem tem cumprido bem esse papel.
