Em uma fala que mescla análise musical e orgulho cultural, a cantora Silvânia Aquino posicionou o forró não como um gênero estático, mas como a força vital e agregadora da música do Nordeste. Para ela, mesmo as composições atuais que flertam com o pop ou o rock carregam em sua essência a marca indelével do forró.
“É uma música pop nordestina com grande força justamente porque agrega diversos ritmos, e o forró é certamente seu alicerce”, afirmou Silvânia, destacando a base rítmica que persiste nas fusões modernas. “A influência desses ritmos é constante. O forró está lá, na raiz da sonoridade, naquilo que é marcante e permanece na memória, seja ele o centro do palco ou a alma da gravação.”
A artista traçou uma linha histórica para fundamentar seu argumento, lembrando que a capacidade de síntese é parte da tradição do gênero. “O forró, em sua própria essência, sempre incorporou influências. Desde o mestre Luiz Gonzaga, vemos essa genialidade de absorver múltiplos estilos e, a partir deles, criar algo único e nosso.”
Silvânia enalteceu o período junino como a celebração máxima dessa herança. “Valorizamos nossas raízes, e o São João é o momento de celebrar e reviver essa grandeza. É quando a nação lembra de Luiz Gonzaga, Zé Ramalho, Jackson do Pandeiro, e das bandas que perpetuam essa chama, como o Mastruz com Leite. Eles mostram que o forró é vivo, se renova, mas nunca perde sua identidade.”
Com clareza, a cantora definiu: “Não se trata de uma base qualquer; é o forró que dá o caráter, o tempero e a força. Ele pode não ser o único ritmo na superfície, mas é a corrente subterrânea que sustenta e dá vida à nossa música”. Suas palavras reafirmam o forró não como um estilo entre outros, mas como o coração pulsante e aberto da cultura musical nordestina.
Foto: Edgard de Souza
