
SALVADOR – O cantor Leo Estakazero, que se apresentou nesta sexta-feira (19) no Pelourinho, em Salvador, comentou a expansão do São João na Bahia e defendeu medidas para preservar o forró como gênero central da festa.
Em declaração após o show, Estakazero avaliou que o crescimento da festividade superou a capacidade do movimento musical que a originou. “O São João expandiu-se a um nível que o Forró, enquanto movimento musical, não conseguiu acompanhar”, afirmou
Segundo o artista, a dimensão atual do evento, com centenas de cidades celebrando simultaneamente durante vários dias, levou à inclusão de atrações de outros gêneros. Ele citou como exemplo a presença do DJ Alok, “um dos maiores expoentes da música eletrônica na América Latina”. “Embora o crescimento seja impressionante sob uma perspectiva, é legítimo questionar se essa transição é positiva”, disse.
Léo afirmou que não há, atualmente, artistas de forró suficientes para suprir a demanda da festa no estado. “Não pretendo julgar, apenas expor os fatos: hoje, não há artistas de Forró suficientes para suprir a demanda da magnitude que o São João atingiu na Bahia”, declarou.
O cantor manifestou preocupação com a preservação da identidade cultural para as futuras gerações. “O São João é intrinsecamente ligado à fogueira, à quadrilha, à gastronomia típica e, fundamentalmente, ao Forró. Este gênero é o pilar que sustenta a cultura nordestina; gêneros como o samba, o pagode ou o sertanejo possuem outros contextos”, afirmou.
Para Estakazero, é necessário criar mecanismos de proteção ao ritmo tradicional. “É indispensável criar mecanismos de salvaguarda que priorizem o Forró, garantindo que o público tradicional e os jovens compreendam a essência dessa tradição. Seja por meio de uma curadoria mais atenta ou de horários privilegiados para os grandes ícones do ritmo, é necessário agir”, disse.
Ele ainda comentou a recente postura do cantor Flávio José, classificando-a como um alerta para o setor. “A recente postura de Flávio José foi uma medida drástica, mas necessária para evidenciar uma falha sistêmica. O São João é uma festa grandiosa, porém carece de revisões para que sua potência não se perca. É preocupante imaginar um cenário onde os artistas de Forró optem por não se apresentar mais na Bahia”, afirmou.
