O cantor, compositor e produtor cultural Targino Gondim destacou a importância da união entre artistas, da organização e da valorização da cultura nordestina para o fortalecimento do forró tradicional. Em entrevista ao site São João na Bahia, durante a última noite do Festival de Forró da Chapada, em Mucugê, na Chapada Diamantina, o artista falou sobre a trajetória do evento, a participação do público e a proposta de reunir música, educação, turismo e geração de renda.
Anfitrião do festival, Targino atribuiu a realização do evento à paixão pela música e à relação que construiu com Mucugê. Segundo ele, a iniciativa nasceu da vontade de promover o forró em um ambiente que valorizasse tanto a tradição musical quanto as características culturais e turísticas do município.
Para o artista, o encontro também consegue atrair pessoas que não têm o forró como gênero musical preferido. A programação e a atmosfera do evento favorecem o encontro entre diferentes públicos, ampliando o alcance da música nordestina.
Ele ressaltou ainda que o fortalecimento do gênero depende de uma atuação coletiva. Ao citar o projeto audiovisual realizado ao lado de Flávio José e Santanna, ele defendeu a união dos artistas em torno da preservação e da divulgação do forró.
“Se eu faço forró, eu tenho que alimentar isso. Eu não posso estar sozinho. Se eu estiver sozinho, eu não vou andar muito”, afirmou.
*Profissionalização e organização* –
Outro ponto abordado pelo músico foi a necessidade de elevar o nível de profissionalização do forró tradicional. Para Targino, o cumprimento de horários, o planejamento das apresentações, a qualidade dos shows e o respeito à organização dos eventos são medidas que contribuem para o desenvolvimento do segmento.
Na avaliação do artista, o Festival de Forró da Chapada procura servir de referência para outros eventos ao estabelecer critérios de organização e oferecer uma estrutura que estimula os profissionais a aprimorarem suas apresentações.
Targino também destacou o caráter democrático da programação. Além dos shows, o festival oferece atividades gratuitas, como aulas de sanfona, zabumba e dança, aproximando o público dos instrumentos, dos ritmos e das tradições do forró.
A proposta, segundo ele, vai além do entretenimento e envolve diferentes dimensões, como formação cultural, atividade comercial, turismo e geração de renda.
*Referência para outros festivais*
A experiência de Targino como gestor público, incluindo sua atuação como secretário de Cultura de Juazeiro, também foi mencionada durante a entrevista como parte de sua trajetória na produção cultural. O artista defendeu que iniciativas comprometidas com a qualidade e a valorização do forró contribuam para estimular outros produtores e municípios a investir no gênero.
Além do Festival de Forró da Chapada, em Mucugê, Targino citou sua participação na realização do Festival de Forró de Itacaré, reforçando a importância de ampliar o calendário de eventos dedicados à música nordestina.
Ao final, o cantor reconheceu o trabalho das equipes envolvidas na produção e ressaltou que o crescimento do festival depende da colaboração entre artistas, produtores, trabalhadores dos bastidores, poder público, parceiros e público.
A realização do Festival de Forró da Chapada reafirma, assim, a proposta de unir a preservação das tradições musicais nordestinas à formação cultural, ao turismo e à movimentação da economia local.

