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Forró ainda tem predomínio masculino, mas mulheres lutam por mais espaço

Se nos demais estados nordestinos o forró conseguiu consolidar nomes como Elba Ramalho, Marinês, Kátia Cilene, Silvânia Aquino, Walkyria Santos, Lucy Alves, Clemilda, Bete Nascimento dentre outras, na Bahia as mulheres ainda possuem um longo caminho a percorrer. As grades de shows em praças públicas e também em casas de espetáculo ainda são majoritariamente dominadas pelos homens, o que representa um importante desafio para cantoras iniciantes e também experimentadas.

Ex-vocalista da banda pernambucana Limão com Mel, com cinco cds e dois gravados no grupo, onde fez linha de frente com Batista Lima, a alagoana radicada na Bahia, Jeanne Lima, conversou com o Podcast Tem Forró na Bahia sobre o assunto. “Ainda existe muita dificuldade. Tivemos uma evolução, mas as mulheres ainda não ocupam um espaço significativo. O fato de ter feito parte da Limão com Mel ajudou a trazer uma bagagem importante para a carreira-solo, onde tenho mais liberdade para inovar e montar a minha própria dinâmica”, disse a artista que já participou de um reality show.

Minoria entre as mulheres – A baiana Joyce França escolheu uma vertente que não é usual em seu estado. Influenciada por bandas e artistas que fizeram parte do Mastruz com Leite e Magníficos, a artista segue uma linha romântica com o repertório predominantemente do chamado “Forró das Antigas”. “Poucas pessoas, principalmente mulheres, seguem essa linha na Bahia. Eu gosto, pois isso desperta sensações no público que consome essas músicas”, disse.

Preta Barros atua nas baladas forrozeiras há quase uma década como produtora de eventos e também DJ. Ela observa que ter cuidado com as letras das músicas influenciam bastante as pessoas. “Por isso, não tocamos músicas machistas, homofóbicas e/ou machuquem ou diminuam as pessoas”, explicou.

Para Luana Ingry, o fato de haver poucas mulheres no forró tradicional atrapalha, pois dificulta a existência de um movimento sólido. Por outro lado, ela acredita que isso também pode ajudar, pois as mulheres ficam vistas como “novidades” no meio. Paulinha Oliveira, por sua vez, disse que é necessária a presença feminina com maior peso nos eventos. A artista, que recentemente assumiu a Diretoria de Cultura do município de Cruz das Almas, disse que é preciso incentivar constantemente a participação das mulheres nas festas. Já Gisele Andrade acredita que não há interesses das empresas produtoras de eventos em colocar mulheres nos espaços nobres. “Não é por falta de talento. Parece haver uma exclusão comercial e isso é fruto da desvalorização cultural, limitando o forró ao período das festas juninas. Precisamos urgente de uma revolução cultural”, finalizou.

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