
Responsável pelo Ticomia, um dos principais grandes eventos privados que se mantêm no calendário do São João, empresário defende a preservação da identidade cultural como fator de longevidade das festas juninas.
A experiência no Festival de Forró da Chapada, realizado em Mucugê, na Chapada Diamantina, levou o empresário Raul Dourado, responsável pelo Ticomia, a refletir sobre a importância da preservação da cultura nordestina e do forró tradicional. Em publicação na própria página do Instagram, ele destacou que o sucesso de um evento não depende apenas da dimensão das atrações musicais ou da estrutura oferecida ao público, mas também da identidade cultural e das experiências que marcam a memória dos participantes.
O Ticomia ocupa um lugar de destaque entre os grandes eventos privados que permanecem no calendário do São João, mantendo uma trajetória que se aproxima de quatro décadas. Para Raul, a continuidade da festa está relacionada à construção de uma identidade própria e ao vínculo estabelecido com o público ao longo das gerações.
Segundo o empresário, a presença do público no festival de Mucugê chamou a atenção pela valorização da sanfona, da zabumba, da tradição e das manifestações que representam a cultura nordestina. Para ele, o envolvimento das pessoas com o forró demonstrou que a conexão com a música e com suas raízes pode ter um papel tão importante quanto a presença de artistas de projeção nacional.
A reflexão também foi direcionada à trajetória do Ticomia. Raul ressaltou que, embora as grandes atrações continuem sendo importantes para a programação, a identidade construída ao longo dos anos e o sentimento de pertencimento do público são fatores essenciais para a continuidade do evento.
“As grandes atrações podem até fazer você comprar o ingresso, mas o que faz você voltar no ano seguinte é a história, a tradição e o sentimento”, afirmou Raul Dourado.
Outro aspecto destacado pelo empresário foi a mobilização espontânea em torno do forró durante o festival em Mucugê. Ele relatou ter observado sanfoneiros se reunindo em espaços públicos, acompanhados por zabumbeiros, enquanto outras pessoas se aproximavam para ouvir e participar dos encontros musicais.
Na avaliação de Raul, cenas como essas reforçam a importância de manter vivas as manifestações culturais que atravessam gerações. Para ele, os produtores de eventos também têm a responsabilidade de contribuir para a preservação da história, da cultura e da identidade nordestinas.
Ao concluir a reflexão, o empresário questionou o que leva o público a retornar a uma festa: a atração que está no palco ou a experiência vivida durante o evento. A pergunta sintetiza a ideia defendida por ele após a passagem pelo festival: em um mercado marcado pela busca constante por novidades, valorizar a tradição pode ser um caminho para fortalecer a identidade dos festejos juninos e garantir a continuidade de eventos que fazem parte da história do São João.
