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Júlio César deu a real no Fórum Forró Raiz

 

*Gabriel Carvalho

 

Durante três dias: 7, 8 e 9 de agosto de 2025, a Biblioteca Central dos Barris, no Centro de Salvador, foi sede do I Fórum Forró de Raiz da Bahia. A abertura foi prestigiada, com a presença de ícones como Adelmario Coelho, Del Feliz e figuras importantes do cenário forrozeiro da Bahia como Verlando Gomes, da banda Flor Serena, Cicinho de Assis, Júlio César e a Orquestra Sanfônica de Serrinha. Organizado pela presidente da Associação Asa Branca, Marizete Nascimento, o evento foi repleto de boas intenções e tinha uma programação propositiva, mas, apesar do empenho da idealizadora, o que se viu foi um chororô sem precedentes daqueles que fazem o tradicional pé de serra e com razão.

 

Antes relegado apenas às festas de São João, Santo Antonio e São Pedro, o ritmo na sua forma mais raiz está agonizando e perdendo espaço nas programações de cidades que fazem festas de médio e grande porte. Os forrozeiros clamaram por uma lei que obrigue os gestores municipais a contratarem artistas para os eventos públicos com a justificativa da manutenção da tradição.

 

Apesar de ser uma proposta que aparente salvar aqueles que artisticamente respiram por aparelhos e não conseguem levar o pão para casa, a tal Lei da Zambumba já existe em âmbito estadual, mas de nada funciona, pois não é cumprida. Mas, mesmo se tivesse alguma validade real, a lei não resolveria o problema dos forrozeiros.

 

O que o forró precisa é estar na ordem do dia. Ou seja: é ser desejado pelo público e aí o buraco é muito mais embaixo. Ser inserido na grade de programação do São João é muito pouco para o artista ou banda considerado pequenos e foi mais ou menos esse caminho que o cantor, compositor e sanfoneiro Júlio César quis mostrar durante o fórum.

 

Com a internet e o bombardeio de informações, não basta apenas ser bom e compor boas músicas, é preciso estar presente nos ambientes presencial e digital e o pequeno não consegue. Aliás, ele está alijado de coisas elementares como saber emitir notas fiscais, realizar sua própria prestação de contas e gerir os seus perfis nas redes sociais. Sem clipes, vídeos e gravações em estúdios de qualidade é praticamente impossível competir com os gigantes que são representados por escritórios de máximo porte.

 

Mas há caminhos que podem ser trilhados até chegar ao pote de ouro que fica atrás do arco-íris do sucesso. Um deles é cobrar do poder público uma ajuda estrutural e não paliativa, com a garantia de cursos de qualificação, formação e empreendedorismo. Isso mesmo: o artista hoje precisa empreender e gerir a sua carreira de forma profissional.

 

Além disso, é preciso fazer a quase impossível união dos forrozeiros para que pleiteemos espaços na imprensa como páginas em jornais, vídeos nas páginas famosas e entrevistas de rádio e TV fora do período junino. A música do forrozeiro não pode ser condenada a so tocar nas vésperas dos festejos, mas pode ser aproveitada o ano inteiro. E isso o artista de forró também precisa fazer a sua parte, compondo letras que falem das cidades, das praias e não apenas da canjica e do balão.

 

E sigo dizendo. Essa união precisa também ser concretizada com articulação política e institucional. É preciso procurar os atores do Poder Público e também do privado e pedir a inserção do forró nas programações dos grandes eventos. O Festival da Virada de Salvador tem pelo menos seis dias de festas. Se tivermos uma banda ou cantor forrozeiro por dia, ainda que seja num horário não nobre, já é uma grande vitória. Outros eventos fomentados pelas prefeituras também podem garantir a presença da galera do forró e, por fim, o mesmo vale para os empresários que podem inserir a galera da zabumba, triângulo e sanfona em ensaios de verão, festas de réveillon e pré-carnavais e assim acabarmos de vez com a sazonalidade e o ostracismo do forró na Bahia.

 

*Gabriel Carvalho é jornalista, publicitário e editor-chefe dos sites São João na Bahia e Nação Forrozeira

 

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